Artigo de Gustavo Medeiros



Religiosidade & Consciência Ecológica

 

A ayahuasca é uma beberagem de plantas amazônicas, preparada a partir do cipó Banisteriopsis caapi e da planta Psychotria viridis, que contém a poderosa substância psicoativa denominada dimetiltriptamina (DMT). Entre os índios da América do Sul, a ayahuasca vem sendo usada com propósitos de cura e de oráculo através dos séculos ou até de milênios, dentro da tradição xamanística. Além disso, formaram-se igrejas sincréticas, que levaram o ayahuasca para os centros urbanos, que mesclam ritos xamanistas e elementos cristãos, dentre outros. Isso ocorre principalmente na região da Amazônia, entre os mestiços de países como o Peru, Brasil, Colômbia e Equador. O termo ayahuasca é originário da língua indígena sul-americana Quéchua, e significa “cipó das almas” ou “cipó dos espíritos”. Essa substância também é chamada por outros termos, como: Caapi ou Yagé.
Ralph Metzner, PhD em Psicologia e estudioso do uso do ayahuasca, no livro Ayahuasca - Alucinógenos, Consciência e o Espírito da Natureza, chama essa substância de “droga psicoativa”. Além disso, se refere a ela como ”planta medicinal’, defendendo inclusive que crê em seu uso junto à Medicina, como auxiliar no tratamento de dependência química.
O livro é subdividido em duas partes: a experiência da Ayahuasca (composta por 25 depoimentos pessoais com enfase em descobertas espirituais fora dos paradigmas religiosos tradicionais); e uma segunda parte formada por três artigos científicos: Ayahuasca: uma história etnofarmacológica, de Denis Mckenna (irmão de Terence); A Psicologia da Ayahuasca, de Charles S. Grob; e Fitoquímica e Neurofarmocologia da Ayahuasca, de Jace C. Callaway. Além de uma introdução e uma conclusão escritas pelo próprio Metzner.
Metzner classifica o ayahuasca como um expansor de consciência, isto é: uma substância que induz o indivíduo que a ingere a um Estado Alterado de Consciência (EAC), estado esse em que as pessoas tem insights de auto- conhecimento e experiências místicas. Devido ao seu papel de ligar o indivíduo ao seu interior sagrado é chamada de substância enteogênica.
O xamanismo entre os índios sul-americanos da região amazônica está ligado às práticas de cura e de oráculo que contém uma proposta de indução ao EAC, chamado por Metzner de “jornada xamanística”. Através dessa prática, o xamã – curandeiro, adivinho e indutor do EAC entre os índios - penetra nas “realidades não–ordinárias” em busca do conhecimento e do poder de cura próprio dos espíritos que habitam tais mundos. As duas técnicas xamanísticas mais utilizadas para entrar nesse EAC são a batucada rítmica – habitual na América do Norte e Eurásia e o emprego de plantas ou de fungos alucinógenos, comuns no sul do continente americano.
As substâncias que induzem as pessoas a um EAC têm sido denominadas de diversas formas, como: psicomiméticas (loucura mimética), psicolíticas (“corruptoras da mente”), psicodélicas (“manifestadoras da mente”), alucinógenas (indutoras de visões) e enteogênicas (que fazem ligação com o interior sagrado das pessoas). O termo enteogênica para substâncias como a ayahuasca tem sido cada vez mais usada entre pesquisadores, por não ter caráter depreciativo, como outros termos. Embora também se possa chamá-la pelos outros termos acima expostos. Metzer e outros pesquisadores defendem que o ayahuasca é o enteogênico mais poderoso e amplamente utilizado pelos xamãs da América do Sul. Para as tribos que usam essa beberagem, ela permite ver seres espirituais que não seriam vistos de outra forma, além de ser usada para receber orientações de Mestres espirituais, sendo ricas fontes de cura e conhecimento.
Cientistas ocidentais e pesquisadores dos enteogênicos admitem que substâncias como a ayahuasca pode proporcionar o acesso às dimensões espirituais ou transpessoais de consciência. Aliás, o termo enteogênico é apropriado para essas substâncias, pois é elemento de acesso a outras dimensões e aos diversos estados sagrados.
Indivíduos tem tido melhoras e percepção, concentração e cura de vícios através do uso do ayahuasca em contexto ritual. A primeira pesquisa científica sobre os efeitos do ayahuasca nos seres humanos foi feita da década de 1990, em Manaus,no “Projeto Hoasca”, desenvolvido por cientistas em parceria com a União do Vegetal (UDV), uma igreja sincrética brasileira que usa o yagé.
As chamadas “igrejas sincréticas” são organizações que utilizam o ayahuasca em seus ritos, e dentro de um contexto urbano e fora de tribos indígenas. Isso as diferencia do xamanismo indígena, e também o fato de serem fruto do sincretismo com religiões como o catolicismo, por exemplo. Esse xamanismo mestiço, que usa a ayahuasca, é chamado de vegetalismo, e seus adeptos são conhecidos como vegetalistas.
As igrejas sincréticas, nascidas no Brasil, promovem o fortalecimento dos laços comunitários e o sentido de participação e integração dos seus membros.No Brasil, existem hoje três igrejas organizadas onde a ayahuasca constitui o fundamento principal: o Santo Daime, a União do Vegetal (UDV) e a Barquinha. Das igrejas sincréticas acima, a mais antiga é a do Santo Daime, fundada no Acre pelo seringueiro afro-descendente Raimundo Irineu, na década de 1930. Em sua liturgia, usam canções e hinários, além de músicas e danças. A maior parte dos daimistas está agrupada no CEFLURIS (2). A União do Vegetal (UDV) foi fundada em 1954 por Gabriel da Costa. Nas sessões dessa igreja, os membros ficam sentados ao ingerir o ayahuasca (3). A Barquinha foi uma dissidência do Daime, onde os membros incorporaram elementos da Umbanda, em seus ritos. Foi iniciada na década de 1950 (4). Existem também outros grupos que usam a ayahuasca,sendo parte do projeto Ayahuasca Brasil (5).
Todas essas igrejas incorporram elementos cristãos diversos em suas cerimônias. Nos Centros Livres e organizações desvinculadas dessas igrejas, o sincretismo pode ser ainda maior, com elementos hindus, umbandistas e espíritas, dentre outros. É o caso do Centro Livre Divina Luz, do Distrito Federal. Mesmo seguindo uma ritualística e calendário daimista, são ligados ao Juruá, e fazem trabalhos espirituais alternativos como o “umbandaime”.
Uma atitude que Metzner cita que ocorre entre os usuários do ayahuasca, é um “ressurgimento da atitude respeitosa e reverencial para com a Terra e todas as suas criaturas” (Metzner, Griphus: 2002). Isso é uma reação à degradação da biosfera, feita pela civilização ocidental. Aliás, o autor vê um choque entre a mentalidade das sociedades tradicionais xamanísticas ou sincréticas e o mundo industrializado ocidental. Em outras palavras, o ayahuasca estaria fazendo uma ponte entre o xamanismo - forma antiqüíssima e primeva de religiosidade ameríndia - e o mundo industrializado ocidental. Uma revolução cultural e de mentalidade pode surgir disso, sendo positiva, pois,  a mentalidade xamanística busca uma harmonia com o universo e seu ecossistema, algo hoje necessário ao mundo ocidental.
Essa dialética entre a mentalidade científica (newtoniana) ocidental e da religiosidade xamanística poderia conduzir os humanos à “reunificação da ciência com a espiritualidade” (Metzner, Griphus, 2002).
Um dos primeiros autores a estudar a mente e seus Estados Alterados (EAC) foi o filósofo norte-americano William James (1842-1910). Ele afirmava, segundo citado por Metzner, que a mente “parece abarcar uma confederação de entidades psíquicas”, tese essa confirmada pelos investigadores dos EAC.
James investigou inclusive as dimensões para-normais e místicas da consciência, e dos “estados mentais excepcionais”. Ele mesmo ingeriu o gás hilariante (óxido nitroso), em suas experiências, o que o levou a um EAC. Sua tese, apoiada por Metzner, é a de que todo o conhecimento é derivado da experiência.
Entre os vegetalistas, o fenômeno do vômito após a ingestão do ayahuasca, fenômeno chamado de purga, é visto como uma purificação física, mental e espiritual. Assim, o yagé também é conhecido como la purga. A experiência com o “cipó das almas” conduz os indivíduos, muitas vezes, ao acesso ao conhecimento oculto, em realidades não-ordinárias. Nelas, as pessoas encontrariam respostas às suas angústias existenciais e espirituais. E isso é que faz com que alguns vegetalistas chamem essas beberagens de “plantas mestras”. A comprovada elevação da auto-estima entre membros das igrejas ayahuasqueiras tem explicação no fato de que a serotonina (5- hidroxitriptamina), substância que eleva a sensação de bem-estar, estar muito ativa nela. A deficiência dessa substância no organismo humano, por exemplo, pode gerar depressão,ansiedade, insônia e violência nas pessoas. Por isso, segundo Metzner, os bebedores da caapi são geralmente calmos. Além disso, quando os níveis de serotonina estão altos, no intestino humano, induzem vômitos e diarréias.
Denis McKenna, PhD em Medicina, e estudioso do ayahuasca, afirma que as folhas da P. Viridis, uma das plantas formadoras do yagé, contém alcalóides necessários para gerar o efeito psicótico nas pessoas. Esse efeito,que entre os daimistas é chamado de “miração”, envolve visões e pensamentos não-ordinários e de conteúdo místico. Do ponto de vista químico, isso ocorreria devido à ingestão do DMT (dimetiltriptamina) e do inibidor MAO periférico, ambos presentes na ayahuasca (McKenna: Griphus, 2002).
A conclusão de Metzner é de que “é possível realizar inúmeras curas físicas e psicológicas admiráveis com o uso da ayahuasca” (Metzner, Griphus: 2002). Nesse sentido, ele relata conhecer casos até de regressão de alguns tipos de câncer, a partir da ingestão do caapi. Diz ainda que que uma pessoa que ingere a beberagem “pode liberar, no momento do võmito, os resíduos tóxicos de um passado emocional conturbado-, a culpa ou a vergonha em relação a certos traumas-, limitações, defesas,transferências, vícios, compulsões e outros comportamentos neuróticos”. Por isso, ele crê que a ayahuasca será útil para a sociedade também no tratamento de vícios, como o alcoolismo.
Charles S. Grob, Mestre em Psicologia, crê que o estudo e uso da ayahuasca farão com que seja reaberta a discussão, na  psicologia e na  psiquiatria, sobre o valor da experiência xamanística. Segundo ele, haveria cerca de 150 espécies diferentes de plantas alucinógenas, das quais 120 seriam originárias do continente americano. O início do uso da ayahuasca como ritual é desconhecido pelos pesquisadores. Os grupos que a ingerem - sejam de tradições xamanísticas ou sincréticas - atribuem essa descoberta e seu uso a uma revelação divina.
Os alcalóides harmala, derivados da Banisteriopsis - uma das substâncias que compõe o yagé - “são capazes de induzir vários níveis de êxtase visionário, e são utilizados ritualisticamente (...) por tribos nativas” (Grob, Griphus: 2002).
Os colonizadores luso-espanhóis perseguiram e exploraram as culturas nativas da floresta amazônica. Em 1616, a Inquisição católica condenou a ayahuasca classificando-a como uma planta diabólica. Um cronista espanhol da época, Hernando Ruiz de Alarcón, citado por Grob no livro, dizia que ela “deprava os sentidos (...) e, através dela, os nativos estabelecem comunicação com o diabo”. (Guerra, 1977, op.cit.). Os padres se referiam a “poções diabólicas preparadas com os cipós da floresta pelos indígenas do Peru” (Ott, 1994, citado por Grob, op.cit).
A primeira descrição escrita da ayahuasca veio do geógrafo equatoriano Manuel Villavicencio, em 1858. Dizia que aqueles que a ingeriam ficavam “possuídos”, e viam “as mais deliciosas aparições, sempre em conformidade com suas idéias e seu conhecimento” (Villavicencio, 1858 e Harner 1973, op.cit).
Existem diversos tipos de experiências que ocorrem entre os que ingerem a beberagem. Há experiências de “viagem astral”, que são casos em que supostamente o espírito da pessoa sai do corpo e conhece outras dimensões e lugares. O antropólogo Keneth Kesinger afirma que o caapi induziria à visões de acordo com a gênese do comportamento volitivo. Os índios Kaxinawá só ingerem o yagé quando precisam de revelações espirituais. Já para os Jivaro, a ayahuasca os levaria à verdadeira realidade, não material. Por sua ótica, a realidade ordinária, seria mera ilusão.
Segundo o antropólogo Harner, a ayahuasca, através de seu uso, promove a unidade das comunidades, mantendo-as coesas, por meio de um contato com o reino sobrenatural dos ancestrais, divindades e espíritos mitológicos dos usuários. Nesses contextos, a ayahuasca é ingerida como um sacramento que permite a interação com um mundo não-ordinário e místico, experiência onde se obtém auto-conhecimento e respostas existenciais e espirituais. Há inclusive uma preparação para a ingestão da planta, nas tradições xamanísticas ou sincréticas, incluindo abstinência sexual e dietas sem álcool, carne ou sal e açúcar. Devido ao seu papel religioso e sacramental, em algumas comunidades, Schultes e Hoffman chamam o yagé de “planta de Deus” (1992 in op.cit).
O uso da ayahuasca é feito com propósitos de cura e culto religioso, até os dias atuais. Existe a crença de que a beberagem cura especialmente doenças de origem mágica/ espiritual. É usada como uma forma de exorcizar espíritos diabólicos, em certos contextos. Atuaria removendo a causa espiritual de doenças físicas, e, portanto, curando as pessoas. Há inúmeros relatos de cura de pessoas através da ingestão de ayahuasca, segundo Grob (Dobkin de Rios, 1984, op. Cit). Há relatos também de cura de vícios de cocaína e álcool, através do yagé,como os ocorridos no Centro Takwasi do Peru, na década de 80. Também há relatos de melhoras do mal de Parkinson e de sintomas neuróticos, entre pessoas que consomem a beberagem.
Foi no século XX que a ayahuasca saiu do contexto das tradições xamanísticas indígenas e chegou aos centros urbanos, através das igrejas sincréticas brasileiras, como o Santo Daime e a UDV, por exemplo. Dessa forma, a classe média urbana teve acesso à beberagem. Essas igrejas também levaram o yagé para a América do Norte e Europa, através de suas atividades.
O governo do Brasil, em 1987, legalizou o uso da ayahuasca, desde que utilizada no contexto ritual e religioso. O Brasil foi o primeiro país do mundo a permitir o uso de plantas alucinógenas com objetivos espirituais, por parte de seus habitantes não-indígenas, após séculos de proibição.
Os Estados Alterados de Consciência (EAC), induzidos por substâncias enteogênicas ou práticas meditativas, tem algumas características, que ocorrem nas pessoas que as ingerem, segundo Grob, tais como, dentre outras:
  •  alteração do pensamento;
  •  sentido alterado de tempo;
  •  transformações na expressão emocional;
  •  transformações na imagem corporal;
  •  alterações de percepção;
  •  transformações dos significados;
  •  sensação do indizível;
  •  sensação de rejuvenescimento.
Além disso, existem experiências comuns, ocorridas entre pessoas que ingeriram o ayahuasca em contextos diferentes,como:
  •  percepção de que a alma deixa o corpo físico;
  •  visões de animais da floresta amazônica, como jaguares e outros predadores;
  •  sensação de contato com os reinos sobrenaturais;
  •  visões de locais distantes.
Ainda segundo Grob, a ayahuasca, assim como outros alucinógenos “possui um potencial inato para mergulhar quem a consome numa experiência que pode atingir as profundezas do inferno ou os mais elevados planos dos reinos celestiais”.
A primeira pesquisa psiquiátrica com o yagé ocorreu no ano de 1993, em Manaus (AM). É o projeto hoasca, onde cientistas analisaram usuários de substâncias entre membros da igreja UDV e não-usuários. Muitos dos membros da UDV eram ex-viciados em drogas e álcool, que se curaram ao longo do uso da beberagem, no período de pelo menos dez anos na igreja.
A pesquisa mostrou que os membros da UDV eram mais sociáveis, equilibrados e ordenados que os que não ingeriam o caapi. Os vegetalistas eram também mais seguros, despreocupados e otimistas, além de terem mais concentração e agilidade na memória.
Ao fazer sua conclusão, Metzner mostra que a ingestão da ayahuasca traz de volta, nas pessoas que a ingerem, a idéia do sagrado ligada à Natureza. Essa idéia está ligada às antigas práticas xamanísticas.
Há um ressurgimento, em nossa época, de práticas neoxamanísticas ligadas à ingestão de enteogênicos. No século XX houve a introdução das plantas expansoras da mente, no Ocidente, isso paralelo à crise da civilização industrial. Nesse século, o Ocidente começou a entrar em contato com as cosmovisões da tradição xamanística ameríndia neopagã, que são ligadas à idéia da sacralidade da natureza. Isso contrasta com o materialismo industrial, que tudo sacrifica- inclusive a natureza, para sua expansão.
Pode se citar como exemplos do que foi dito acima as pesquisas e experiências de expansão da mente o uso do ácido lisérgico Dietilamida (LSD), desenvolvido em laboratório em 1943. Na década de 1950, Robert Gordon  redescobriu a cerimônia do cogumelo sagrado do México. Seus comentários acerca disso na revista Life impulsionaram um grande interesse na expansão da consciência,pelos jovens. No Brasil, surgiram as igrejas sincréticas, que levaram o ayahuasca para os centros urbanos.
Na década de 1960, Timothy Leary pesquisou os psicodélicos, na Universidade de Harvard. Nessa mesma época houve o despertar de movimentos ecológicos e de inovações criativas na arte, música, moda e literatura, que se percebeu entre hippies e beats, por exemplo. Houve a revolução sexual e o movimento pacifista com muita força, também. Normas sociais foram mudadas ou remodeladas, a partir disso. O ocidente começou a entrar em contato com cosmovisões da tradição xamanística e neopagã de ameríndios sul-americanos.
Dentre os enteogênicos, Metzner afirma que a ayahuasca tem uma reputação quase lendária, em função dos seus atributos de cura e fortalecimento.
A idéia do fluir da águas e do crescimento das plantas é típica do imagético essencial das tradições xamanísticas. Isso está ligado ao fluir purificador (purgativo) do vômito e da purificação de tristezas, no contato com  a ayahuasca.
Junto com o interesse pelos enteogênicos, a idéia animista da sacralidade da natureza produz uma reunificação do sagrado e do natural, que pode revolucionar a mente racionalista e materialista do Ocidente.
As plantas enteogênicas produzem alcalóides que geram insights e curas, estão fora do esquema científico atual, formado por Newton e Darwin, segundo Metzner. Isso deve ser reavaliado, pois nossos alimentos e remédios vem, em grande parte, do reino vegetal. E a alternativa que o neoxamanismo enteogênico nos dá e de voltarmos agora para uma visão harmônica com a natureza, recebendo dela cura e auto-conhecimento, a partir de chás como a ayahuasca. Temos como retribuir  a ela o que ela nos dá? É a pergunta que Metzner se faz. A primeira coisa a se fazer em relação a natureza é preserva-la, pois dessa forma, podemos nos preservar. E também as iluminações espirituais e psíquicas vinda dos enteogênicos podem ser importantes para tudo isso.
O fato é que muitos que usam a ayahuasca desenvolvem uma consciência ecológica, se engajando em projetos de preservação da natureza. Isso pode ser o começo de uma mudança na atividade predatória do homem em relação ao ecossistema. E também de uma religiosidade mais harmônica e includente, sincrética, mais próxima da natureza e aberta. É sobre essa religiosidade sincrética e sua cosmovisão, que se propõe o estudo, nesse trabalho.
Notas:
(1) Resenha de "Ayahuasca - Alucinógenos, Consciência e o Espírito da Natureza". Ralph Metzner, organizador; com contribuição de Jace C. Callaway, Charles S. Grob, Dennis J. McKenna e outros; tradução de Márcia Frazão - Rio de Janeiro: Griphus,2002. O autor Gustavo Medeiros é graduado em Comunicação Social (Jornalismo) e História, pela UFRN.

Publicado em: 22/10/2008

Autor: Gustavo Medeiros

Fonte: Revista Arca da União



Comentrio(s) dos leitores


1. Para conhecimento

27/04/2009 21:26:00

 

Interessante.

 

roberto bloes

robertobloes@yahoo.com.br -




  

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