Artigo de Eduardo Bayer Neto



Uma versão de "El Caballero Templario em el Siglo XXI - Modus Vivendi", de Ángel Gaspar Celdrán

 

O guerreiro daimista, aquele que é capaz de sacrificar sua própria vida na defesa de causas aparentemente perdidas, há de ser uma esperança para o mundo. Deve acudir sempre à chamada daqueles que sofrem, que duvidam ou têm fome e sêde de uma evolução mais alta, como São Martinho há de rasgar sua capa para cobrir ao desafortunado, e como Oswald Wirth recordar que o ideal iniciático é a filantropia, o humanitarismo, o exercício do bem supremo sobre esta Terra, já que como nos ensina São Paulo, “se não possuímos a caridade, nada somos”.

O guerreiro daimista que exerce sua função a serviço de Deus, de Nossa Senhora Rainha da Floresta e de toda a Humanidade, deve ser muito estrito na aplicação de um código de vida diário.

O guerreiro daimista deve renunciar na medida que seja possível, a toda idéia de possessão egoísta com o ânimo apenas de benefício próprio.

Os Templários do passado, apesar de ser esta uma Ordem rica e próspera, seus membros eram pobres e nada possuíam que não fosse aquilo que a Ordem lhes entregava para cobrir suas necessidades mais essenciais. Aos Templários lhes uniam laços de amor e fraternidade baseados na solidariedade entre os povos, tendo como fim o bem comum e a elevação da consciência. Portanto, e seguindo tal exemplo, os daimistas do Novo Milênio devem comprometer-se a levar uma vida exemplar de verdadeiros guerreiros de Juramidam, socorrendo e protegendo aos mais fracos tanto se se trata de seres humanos, como animais, agindo como defensores da Natureza.

O guerreiro daimista procurará ter um temperamento controlado e harmônico para facilitar o trato e a convivência, tratando de ser organizado e disciplinado para controlar qualquer traço de egocentrismo, substituindo esta atitude com o empenho em não impor nosso temperamento aos outros, sendo capaz de conviver bem levando em conta as diferenças de caráter - ou seja, o guerreiro daimista deve tomar consciência de seu próprio comportamento e reações, analisar constantemente quais são suas motivações mais profundas e como agir diante delas. Em suma, que sua atitude sempre seja de responsabilidade.

O guerreiro daimista nunca perde de vista a si mesmo, mas isto não deve significar que descuide das pessoas com as quais se relaciona, quer dizer: se amo e tenho em conta aos demais procurarei não prejudicá-los deliberadamente, para que o amor, a compaixão e a consideração para com os meus semelhantes seja primordial em minhas relações, não julgando nem provocando a ninguém.

A capacidade de viver com ética e solidariedade deve criar um nível de fortaleza em nós mesmos e ao mesmo tempo tornar-nos capazes de criar um compromisso pessoal que nos proporcione a energia suficiente para defender-nos de qualquer agressão individual ou massiva. No caminho espiritual não nos é pedido que sejamos servis ou frouxos, pelo contrário, a justiça ou o ser justo por vezes leva a ter firmeza e lutar pelo que se acredita ainda que isto signifique nos enfrentarmos ao estabelecido. É por isso que o guerreiro daimista mostrará uma firmeza interna confiante e convencida de que não se deixará vencer nem convencer pela arbitrariedade ou pelo ataque externo, lutando sempre pelo que considere bom para si mesmo ainda que seja questionado pelos demais. Com certeza é dever do guerreiro de Juramidam atuar conscientemente.

Diante da sociedade deverá mostrar ética pessoal e estilo de vida em contraposição à desvalorização social e à falta de sensibilidade ecológica, acrescentando em nosso estilo de vida a maturidade para atuarmos como indivíduos com ideais e motivações próprias em vez de deixar-nos arrastar pela massa social e suas tendências materialistas e consumistas. É por isso que o guerreiro daimista procurará renunciar dentro do possível ao apego que em certas ocasiões nos proporcionam as coisas materiais. Deverá desfrutar das cousas mas sem prender-se a elas nem escravizar-se. Assim seria beneficioso que o guerreiro de Juramidam se propusesse a manter certo equilíbrio entre suas necessidades materiais e as espirituais.

O guerreiro daimista não se imiscuirá jamais em assuntos vulgares ou torpes, a não ser que os direitos do mais fraco estejam sendo lesados e sempre dentro da máxima prudência. Procurará não ser falso ou charlatão, nem tampouco acalorar-se excessivamente nas expressões verbais. Todo excesso é emocionalmente suspeitoso e revela algo que ainda não se tem equilibrado.

O guerreiro daimista refletirá sobre as noções de dar, receber, aceitar, pedir, ter, necessitar e compartilhar. Não há evolução social sem equilíbrio de bens, o desequilíbrio social e a destruição podem surgir tanto por acumulação setorial como por necessidade e carência. O que uma pessoa possui sempre deve estar disponível para fazer o bem, a não ser que o perca para sempre.

O guerreiro daimista não deve adotar atitudes de prepotência e superioridade, mas sim observar sempre uma atitude aberta, transparente e simples. Tratará de falar pouco e com precisão, atuar com justiça e equanimidade, buscando cuidar seus modos, sem nunca mostrar vontade de ser vaidoso e arrogante.

O aspirante a guerreiro daimista deverá mudar sua maneira de viver, de comportar-se e sentir, que geralmente se caracteriza pelo egoísmo e, em conseqüência, pelo pensamento de si mesmo e para si mesmo, pensamento este que domina a atitude mental do homem. Como a característica dominante, a que determina o estilo de vida atual do homem, é o individualismo, esta maneira de comportar-se e de sentir deve mudar.

Terá que demonstrar que ama, que seu sentimento de amor é forte e dominante e está acima dos demais sentimentos movidos pelo egoísmo.

Terá que demonstrar que se sente irmão de seu irmão, que seu sentimento de fraternidade o leva a identificar-se com o sofrimento e a necessidade alheia, e que este sentimento fraterno é mais forte e dominante que o sentimento individualista da própria conveniência e comodidade. Terá que demonstrar que superou as atitudes personalistas que o faziam crer que tinha a verdade e a razão e por isso se mostrava intransigente e severo em seus juízos. Terá que demonstrar que sua tolerância e compreensão do irmão são produzidas pelo sentimento de humildade, obtido e apoiado na visão do relativo que representa toda posse.

O aspirante terá que demonstrar que dá um grande valor aos esforços realizados para dominar os aspectos mais fracos de seu agir, e que, portanto, seu desejo de ser melhor e mais útil é um desejo prioritário.

É assim como poderá compreender os estados morais de seu novo estado, o de guerreiro de Juramidam, nos quais sobressaem o amor, a fraternidade, o bem comum, a humildade, a compreensão, a colaboração, a participação, a igualdade e a sinceridade. E não bastará que compreenda estes estados morais, que os admita em sua mente e que fale deles como se fosse sabedor de seu sentido, pois será imprescindível que aja segundo eles, que seus atos espelhem estes estados morais. Já não bastará apenas parecer, mas terá que ser realmente. Terá que moldar-se pelos seguintes objetivos:

-Esforçar-se constantemente para ser mais perfeito.

-Estudar e trabalhar continuamente para ser mais útil.

-Estreitar os laços de fraternidade e compreensão com os demais irmãos.

Assim é que, finalmente, como o antigo Templário, o guerreiro de Juramidam espiritualmente se poderá ver curvando-se com o joelho esquerdo sobre o chão, com sua mão direita sobre seu peito e a esquerda sobre sua espada, e dirigindo o olhar para cima prometer defender a justiça consagrando-se aos demais com um grande valor, e também um rigor para consigo mesmo que o fará esquecer-se de tudo quanto o aprisiona a este mundo de ilusão e de excesso.

NON NOBIS, DOMINE, NON NOBIS, SED NOMINI TUO DA GLORIAM

Notas:

(*) Escritor, vídeo-documentarista e engenheiro florestal, Eduardo Bayer Neto é também funcionário da Fundação Cultural do Estado do Acre e idealizador do projeto Museu Virtual da Ayahuasca - da qual a revista Arca da União é parte integrante.


Publicado em: 12/08/2008

Autor: Eduardo Bayer Neto

Fonte: Revista Arca da União



Comentrio(s) dos leitores


1. leitura de teu texto

22/05/2009 20:17:00

 

Boa Noite Amigo Eduardo! Qui bom termos encontrado teu texto. Estamos eu e o Herter no Pc. Temos internet em casa. Achamos interessante teu texto. Vamos ler outras x s Santa Daime. Escutamos um Hino. Muito lindo. Tentamos ver o segundo hino e não deu certo.. Se quiseres entrar em contato conosco esta ai o endereço. Abç dos Amigos de São MIGUEL DAS MISSÕES.

 

Inês E Herter

J.Herter@hotmail.com - j.herter@hotmai.com e inesherter@hotmail.com




  

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